Lâmpada antiga (1924)

A coletânea Lâmpada Antiga, de Amadeu Amaral, é um livro de poesia que conversa com o passado, trazendo um tom de saudade e reflexão sobre o tempo. Escrita em um momento de mudanças na literatura brasileira, a obra parece ficar entre dois mundos: de um lado, mantém um estilo mais clássico, com versos bem construídos e ritmo cuidadoso; de outro, já traz um olhar para o novo, abordando o impacto das transformações da sociedade e da cultura.
O título já entrega um pouco do que a obra propõe. “Lâmpada” sugere algo que ilumina, que guia, enquanto “antiga” indica um certo distanciamento, como se o poeta olhasse para trás e refletisse sobre o que se perdeu. Essa tensão entre o antigo e o moderno é um dos temas centrais do livro: os poemas falam da simplicidade da vida de antes, da passagem do tempo e de um desejo de resgatar valores que podem estar se apagando.
O estilo de Amadeu Amaral lembra um pouco o que ainda se fazia na poesia parnasiana e simbolista, ou seja, há um cuidado grande com a sonoridade das palavras e com a escolha de imagens poéticas. Mas ele também não se prende completamente a essas escolas literárias. Diferente de poetas simbolistas mais fechados em imagens abstratas ou místicas, Amaral mantém um pé no cotidiano, trazendo cenas que podem ser reconhecidas por qualquer leitor. Essa mistura entre o requinte da linguagem e a proximidade com a vida real dá um charme especial à obra.
No entanto, um olhar mais crítico pode questionar se esse tom de nostalgia não deixa a obra um pouco distante das inquietações da época. Enquanto alguns escritores estavam começando a quebrar regras e buscar novas formas de expressão, Amaral parece optar por um caminho mais contemplativo, resistindo a certas mudanças. Mas isso não significa que sua obra seja menos relevante. Pelo contrário, essa escolha pode ser vista como uma forma sutil de questionar se o progresso realmente significa evolução em todos os aspectos.
No fim das contas, Lâmpada Antiga é um livro que nos convida a desacelerar e pensar sobre o que fica e o que se perde com o tempo. Seu lirismo e sua musicalidade fazem dele uma leitura envolvente, especialmente para quem gosta de poesia que equilibra a tradição e a modernidade. Para aqueles interessados em entender as mudanças da literatura brasileira no início do século XX, essa obra é um ótimo ponto de partida.