Biografia - Amadeu Amaral

Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado, conhecido como Amadeu Amaral, nasceu em Capivari, São Paulo, em 6 de novembro de 1875. Poeta, filólogo, ensaísta e jornalista, sua trajetória intelectual reflete um período de transformações na cultura brasileira, em que a literatura e a linguística começavam a se consolidar como campos acadêmicos distintos.
Aos 11 anos, mudou-se para a capital paulista, onde dividiu seu tempo entre os estudos e o trabalho no comércio. Embora tenha frequentado algumas aulas do Curso Anexo da Faculdade de Direito, não concluiu a formação formal, optando por ingressar no jornalismo aos 16 anos. Seu primeiro contato com a imprensa ocorreu no Lavoura Comercial, jornal fundado por seu pai, e mais tarde trabalhou em veículos de grande circulação, como o Correio Paulistano e O Estado de S. Paulo.
Sua carreira literária começou no final do século XIX, quando publicou Urzes (1899), sua primeira coletânea de poemas. Inserido em um momento de transição entre o parnasianismo e o simbolismo, Amaral desenvolveu uma poesia introspectiva e musical, que mais tarde evoluiria para um estilo ainda mais subjetivo em Névoa (1902) e Espumas (1915). Embora seja mais lembrado por seus estudos linguísticos, sua fase poética revela um escritor atento às tensões entre tradição e modernidade na literatura brasileira.
Além de poeta e jornalista, Amaral teve um papel fundamental na linguística nacional. Sua obra mais célebre, O Dialeto Caipira (1920), é considerada um marco nos estudos dialetológicos brasileiros. Com um olhar inovador para a época, ele analisou as particularidades da fala do interior paulista, trazendo contribuições relevantes para o entendimento da formação do português brasileiro. Seu trabalho influenciou pesquisas posteriores dentro do campo da linguística; especialmente hoje algumas de suas interpretações sejam revisadas à luz de estudos da Linguística Popular.
Em 1919, Amadeu Amaral foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 15, que anteriormente pertencia a Olavo Bilac. Três anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de secretário da Gazeta de Notícias e passou a escrever a crônica diária Bilhetes do Rio para O Estado de S. Paulo, reforçando seu prestígio como intelectual. Em 1929, tornou-se presidente da Academia Brasileira de Letras, consolidando sua posição como um dos grandes nomes da cultura brasileira.
Amadeu Amaral faleceu precocemente aos 53 anos, no dia 24 de outubro de 1929, na cidade de São Paulo. Seu legado permanece vivo tanto na literatura quanto na linguística, sendo lembrado por sua capacidade de transitar entre diferentes áreas do conhecimento e por seu olhar atento às particularidades da língua e da cultura nacional.